domingo, 11 de novembro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
Arquitetura Baseado em evidência
Mais do que estrutura técnica e profissional, a eficiência de um tratamento médico recebe influências de ordem comportamental e psíquica, considerando tempo e espaço. Descubra que não existe apenas medicina baseada em evidência, mas também arquitetura hospitalar
UTI Neurológica do Beneficência Portuguesa (SP): Após estudo, identificou-se que pacientes internados em ambiente fechado tiveram 33% mais delírio do que os que estavam com janelas
A medicina baseada em evidência, que alia ciência a resultados da prática clínica para orientar a tomada de decisão terapêutica, tem seu modelo replicado para outros setores do âmbito hospitalar, como a arquitetura. Nos últimos tempos, cientistas desenvolveram estudos que mensuram o impacto do design da saúde na eficiência do tratamento. Itens como leitos individuais Vs leitos compartilhados, redução de barulho no ambiente hospitalar, melhoria da iluminação, aperfeiçoamento da ventilação interna, entre outros foram comprovadamente apontados como influenciadores no resultado final da assistência hospitalar.
De acordo com o estudo “The role of the Physical Environment in the Hospital of the 21 Century: A Onc in a Lifetime Opportunity”, de Roger Ulrich e Craig Zimring, é possível reduzir a taxa de infecção hospitalar através do aumento da lavagem de mãos das equipes assistenciais com ações que vão além de campanhas de incentivo. Ações como inserir depositórios de álcool gel próximos ao leito e nas saídas dos quartos, bem como pias próximas aos locais em que são administradas as medicações, contribuem para um aumento da lavagem de mãos e consequente redução de infecção hospitalar.
Para este tipo de preocupação se dá o nome de arquitetura hospitalar baseada em evidência. O termo foi criado pelo Center for Health Design, instituição norte-americana, que o definiu como sendo o “processo de basear decisões de projetos sobre o ambiente construído em pesquisas com credibilidade, para atingir os melhores resultados possíveis”. Na prática, é um protocolo completo de projeto, que tira proveito da experiência de uma equipe multidisciplinar e do corpo do conhecimento científico publicado na área de projetos, com ênfase para a busca de evidências, registro de hipóteses, mensuração e publicação dos resultados.
Uma vez que as instituições hospitalares tomam consciência de que o ambiente construído influencia em larga escala a resolutividade de sua prática assistencial, a produtividade dos seus recursos e, por consequência, seu resultado financeiro, elas tendem a exigir mais segurança com relação aos resultados esperados de cada decisão de projeto. Como por exemplo, qual a influência de oferecer salas de cirurgia com antessalas de preparo de paciente para o turnover de sala.
De acordo com o diretor executivo e arquiteto da Kahn do Brasil, Arthur Brito, a metodologia de um projeto baseado em evidência deve seguir os seguintes passos:
• Definição do objetivo e escopo do estudo;
• A busca sistemática por fontes de informações;
• A interpretação de evidências;
• A definição de hipóteses;
• A coleta da base de dados (dependendo da metodologia de pesquisa);
• O monitoramento da aderência de projeto;
A medição e publicação de resultados. Assim como fazem, quando escolhem uma modalidade de investimento financeiro e posterior monitoração de resultados.
Para Brito, “a intenção da metodologia é exatamente a de comprovar os casos em que a arquitetura e engenharia beneficiam resolutividade e qualidade da assistência e quando sua influência não é clara ou decisiva”.
Os hospitais que tomam a decisão de adotar uma arquitetura baseada em evidência precisam envolver um grupo heterogêneo de pessoas em uma equipe de projeto que pode chegar a contar com:
• Proprietário, planejador hospitalar, arquiteto e construtor;
• Liderança executiva: Gestão financeira e tomadores de decisão;
• Pessoal da linha de frente: enfermagem, médicos, técnicos e equipe de apoio;
• Consultores: tendências e tecnologias;
• Representantes dos pacientes (reais ou emulados);
• Líderes das comunidades: quando há influência urbana e Pesquisador.
Segundo o arquiteto, o hospital que aplica a arquitetura baseada em evidência se foca nos resultados das suas decisões de projeto, construção e operação. Será, portanto, muito mais provável que implemente uma solução efetiva e, certamente, terá elementos para monitorar se está atingindo os resultados esperados e antecipar uma possível ação corretiva, caso não esteja no caminho almejado. “Será um hospital preparado para os desafios do futuro”, pontua Brito.
Aderência
De acordo com o diretor da Kahn do Brasil, o projeto hospitalar anseia por método e organização. “Os administradores já descobriram isto, quando buscam as certificações de qualidade (ISO, Joint Comission, ONA etc.) e são igualmente receptivos a projetos e profissionais acreditados”, sinaliza.
Ter o projeto arquitetônico que comprovadamente garante mais eficiência ao tratamento beneficia as instituições em acreditações. A Joint Comission, por exemplo, já tem envolvimento com o CHD, pois grande parte dos seus critérios versa sobre a segurança do paciente. “Uma vez que o a arquitetura baseada em evidência tem como agenda a busca por soluções comprovadas no tema, a certificação de edifícios projetados com a metodologia é muito fácil”, defende Brito.
Para Márcio Oliveira, presidente de Desenvolvimento Técnico Científico da ABDEH (Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar), a cultura do design baseado em evidência é nova no Brasil e poucas instituições adotam, influenciadas pelos técnicos dos projetos, que entrando em contato com as metodologias, colocam isso como elemento a ser perseguido. “No Brasil não há uma divulgação de resultados, por meio de pesquisas científicas. Isto precisa ser fomentado nos hospitais”, avalia.
Benefícios clínicos da arquitetura
Em 2009, o Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, desenvolveu um plano diretor, que contemplava a modernização e ampliação da estrutura com foco em humanização e eficiência da arquitetura. Fruto deste planejamento foi a reforma da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neurológica, inaugurada em 2011 com novo design e 33 leitos. De acordo com Viviane Veiga, médica intensivista e assistente da UTI Neurológica da instituição, durante o projeto de reforma e mudança, a equipe médica participou de forma ativa junto com a arquitetura para que, baseado em estudos americanos, a UTI fosse reestruturada.
Como resultado, os leitos das UTI´s ganharam janelas, aumentou-se a distância entre os leitos, permitindo que a família fique junto ao paciente e criou-se uma ante-sala com televisão e sofá para a família ou acompanhantes aguardarem enquanto o paciente permanece na UTI. Para Viviane, a mudança estrutural viabiliza que a família acompanhe de forma mais confortável o paciente. “Tivemos uma mudança física e cultural, pois a equipe multiprofissional já aceita de uma forma mais natural a presença da família na UTI. E a família consegue perceber todo o processo e trabalho da equipe assistencial”, conta.
Com um investimento da ordem de R$ 7,2 milhões na UTI neurológica, a instituição conseguiu identificar benefícios clínicos com essas mudanças. Foi realizado um estudo avaliando 22 leitos da instituição, dos quais 11 já tinham janelas implantadas e os outros 11 não tinham (era ambiente fechado), em um período de 15 dias, com todos os pacientes internados. Chegou-se a conclusão de que na UTI sem janelas os pacientes tiveram 33% mais delírio do que os pacientes que tinham janelas, em análise feita de acordo com a metodologia CAM-ICU. “Os pacientes que tiveram mais delírio tiveram aumento de internação na UTI e consequentemente aumento de custo”, reforça a médica.
Para Viviane, a arquitetura do hospital deve ser reorganizada com olhos voltados para processos, para a área clínica e para o estético. “É preciso criar mecanismos para facilitar os processos, o tratamento, além da estética”, completa.
O Hospital realizou o mesmo tipo de modernização nas áreas de hemodiálise e pronto atendimento, com um foco maior em humanização.
Humanização e Arquitetura Baseada em Evidência: divididos por uma linha tênue.
No processo de humanização hospitalar, a arquitetura é um dos elementos chave. Entretanto, quando se trata de um projeto de design baseado em evidência, o inverso não é verdadeiro. Os elementos adotados para ganhar em qualidade assistencial não necessariamente precisam estar atrelados à humanização do tratamento.
Outra instituição que trabalha na linha tênue entre humanização e arquitetura baseada em evidência é o Hospital Vita Curitiba. Construído em uma antiga estrutura de hotel, a entidade aproveitou a arquitetura hoteleira, adequando-se às necessidades médicas. “O Centro cirúrgico foi construído próximo ao Pronto-socorro, área de exames e UTI´s facilitando a locomoção de pacientes. A UTI geral tem um acesso direto com o centro cirúrgico”, conta o superintendente da instituição, Flaviano Feu Ventorim.
A arquitetura dos leitos foi mantida preservando as varandas, desta forma proporcionando uma área aberta exclusiva para cada apartamento e possibilitando espaço para o paciente tomar banho de sol com privacidade e maior espaço para acompanhantes.
O hospital conta com um grupo de trabalho, chamado Time do Ambiente, formado por profissionais de diversas áreas do Vita, que estão constantemente avaliando riscos e sugerindo oportunidades de melhorias na estrutura, com o objetivo de aprimorar a qualidade e segurança assistencial. Reformas e novas áreas são planejadas conforme experiência anterior, relatos das equipes multiprofissionais e pesquisa com os clientes. “As obras passam por avaliação da equipe médica. As sugestões e orientações da gerência médica e equipe multiprofissional, formada por psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e nutricionistas, são fundamentais para a definição dos projetos de reformas e novas obras”, complementa o superintendente.
No caso das Unidades de Terapia Intensiva, o hospital além de ter jardim de inverno, áreas amplas, os boxes contam com claridade externa, com espaço físico privativo e tons claros. Nas UTI´s geral e cardiológica é utilizada a cor azul, considerada suave, capaz de proporcionar calma, tranquilidade, afetuosidade, paz e segurança. “É conveniente utilizar o azul em locais sujeitos a muita tensão, pois esta cor também ajuda a baixar a pressão sanguínea e a reduzir o estresse e a tensão”, pontua Ventorim.
De acordo com o executivo, no processo de recuperação do paciente, a iluminação pode auxiliar na orientação temporal e na manutenção do ciclo sono-vigília, já que o uso de sedativos impede que o paciente diferencie dia e noite.
Com exemplos nacionais como este, a cura antes instituída exclusivamente ao tratamento médico, com o tempo vai ganhando influências de ordem comportamental e arquitetônica, mostrando que o controle sobre a eficiência de um tratamento não está somente nas mãos do médico, nem do paciente, mas também do ambiente em que está inserido.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
domingo, 5 de agosto de 2012
SUS inclui vacina contra catapora no calendário básico
A vacina tetra viral, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora, será dada em crianças de um e quatro anos
A vacina contra a catapora (varicela) fará parte do calendário básico de vacinações oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2013. De acordo com o Ministério da Saúde, a tetra viral – uma versão atualizada da tríplice viral – irá imunizar, em uma só injeção, contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora. Atualmente, a imunização contra a catapora é feita pelo SUS apenas quando há casos de surtos.
Opinião do especialista
Renato Kfouri
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim)
“A inclusão da vacina contra a catapora no calendário é de extrema importância. A doença é muitas vezes vista como benigna, mas ela é altamente contagiosa e pode ter consequências graves em algumas situações. Se uma criança infectada vai para uma sala de aula onde ninguém está imunizado, por exemplo, cerca de 70% dos coleguinhas também vão se infectar. Disponibilizar a vacina juntamente com a tríplice é uma maneira eficiente de aumentar a taxa de aderência.”
A primeira dose da vacina será dada no primeiro aniversário, com reforço aos quatro anos. Às crianças que já haviam tomado a primeira dose da tríplice ou mesmo para adultos que não sabem se tomaram ou não a vacina, o SUS irá oferecer somente a tríplice. Isso porque, como a primeira dose não foi dada, tomar somente a segunda dose da vacina contra a catapora não é suficiente para uma imunização completa.
A vacina – De acordo com o Ministério da Saúde, serão investidos 127,3 milhões de reais para a compra de 4,5 milhões de vacinas da tetra viral por ano. Produzida a partir do vírus varicela-zóster atuenado, a vacina terá fabricação nacional, via parceria entre o laboratório GSK e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Catapora - A doença, que tem o nome científico de varicela, é uma infecção altamente contagiosa e causada pelo vírus varicela-zóster. A transmissão é feita pelas vias respiratórias, por partículas transportadas pelo ar contaminadas com o vírus. Os sintomas costumam aparecer de 10 a 21 dias após a infecção e incluem dores de cabeça leves, febre moderada, perda de apetite e mal-estar. De dois a três dias após os primeiros sinais, surgem erupções avermelhadas com coceira. O tratamento pode ser atópico ou com o uso de medicamentos. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2000 e 2011 foram registradas 69.525 internações por catapora no país.
domingo, 22 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Video de cirurgia cegura - Fonte PROQUALIS
O Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e a Segurança do Paciente (Proqualis), vinculado ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), se desenvolve a partir da constatação de que um dos aspectos mais importantes para a melhoria dos cuidados de saúde prestados aos pacientes e para a adoção de medidas que garantam a sua segurança consiste na disseminação ampla de informação selecionada, atualizada e de qualidade, para todos os envolvidos na cadeia de prestação desses cuidados.
terça-feira, 27 de março de 2012
Alertas de Tecnovigilância - Alerta 1108 - DESCARTE DE PRÓTESES MAMÁRIAS EXPLANTADAS
Código da Classe: 11111
Produto: (i). Implante Mamário PIP: Implante Mamário preenchido com gel de alta rotação coesividade – Registro Nº 80152300006 ; (ii). Implante Mamário ROFIL: (1). M-Implante Prótese Mamária – Registro Nº 80413800002 ; (2). Prótese Mamária de silicone ROFIL – Registro Nº 80168150006; (3). Prótese Mamária de hidrogel ROFIL – Registro Nº 80168150007; (4). Prótese de gel cohesivo ROFIL Mamária – Registro Nº 10438690002
Problema:
DESCARTE DE PRÓTESES MAMÁRIAS EXPLANTADAS Implante Mamário é um dispositivo médico e como tal, sujeito à regulação sanitária. De acordo com regulamentação específica (RDC Anvisa 185/2001) é classificadao como de Alto Risco (Classe de Risco III). De acordo com a Norma ABNT NBR 14760:2001, este dispositivo é definido como “Implante planejado para adicionar ou substituir volume do seio”. Assim, pode ser em cirurgias reparadoras, assimetria mamária, hipomastia, alterações congênitas da parede torácica, além de situações estéticas, como o aumento de volume das mamas.
Ação:
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA orienta quanto ao destino final das Próteses Mamárias removidas cirurgicamente.
Esclarecimento:
Dentro do processo investigativo dos problemas apresentados pelas próteses mamárias acima descritas, a ANVISA, em parceria com outros entes do SNVS, realizou coleta fiscal de diversos lotes de próteses mamárias para análise em laboratório especializado. Estas análises necessitam ser efetuadas em amostras íntegras, para que sejam observados os itens constantes em normas. Os produtos removidos em processo cirúrgico são considerados resíduos de serviços de saúde e não necessitam ser submetidos à análise laboratorial nessa investigação. A RDC nº 306, de 07 de dezembro de 2004, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde define que os serviços de saúde são responsáveis pelo correto gerenciamento de todos os resíduos por ele gerados, atendendo as normas e exigências legais, as quais se aplicarão para as próteses explantadas. De acordo com a RDC nº 306/2004, as próteses mamárias se enquadram no Grupo A4 – Resíduos com a possível presença de agentes biológicos que, por suas características, podem apresentar risco de infecção, como recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde, que não contenham sangue ou líquidos corpóreos na forma livre. Estes resíduos podem ser dispostos, sem tratamento prévio, em local devidamente licenciado para disposição final de Resíduos de Serviços de Saúde e devem ser acondicionados conforme o item 1.2 da RDC nº 306/2004, ou seja, em saco branco leitoso, a serem substituídos quando (i). atingirem 2/3 de sua capacidade ou (ii). pelo menos 1 vez a cada 24 horas. Para sua identificação obedecer os requisitos dispostos no item 1.3.3 da Resolução (conforme disposto no item 8 da resolução). As próteses mamárias removidas cirurgicamente podem ser entregues à paciente, mediante solicitação formal da interessada. No entanto, o serviço de saúde deve proceder com a esterilização do dispositivo e a embalagem de esterilização deve ser rompida antes de entregar à usuária. A interessada deverá assinar um termo de recebimento e responsabilidade (orientações conforme Parecer Técnico nº. 06/2009/CINFS/GGTES/ANVISA, de 27/03/2009).
Fonte: Agencia Nacional de Vigilância Sanitária
Data Ocorrência: 27/01/2012
Fabricante: Poly Implants Prothese - França; Rofil Medical Nerdeland BV - Holanda
Lista de Distribuição: SALAS DE CIRURGIA, GERENCIA DE RISCO, BLOCO CIRURGICO, CENTRAL DE MATERIAIS, ONCOLOGIA
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